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Sem titulo

“Não vai a lugar nenhum, eu estou preso em um escuro sem grades. É um infinito muito escuro e desgastante. E foi o amor quem me presenteou.”

É dessa prisão feita de amor desgastado, maléfico e inebriante que brota o silêncio. O vazio, o escuro de noite sem lua, de verso sem letra, música sem ritmo, paixão sem corpo. Tudo muito perdido a dois passos, entregue a um destino sonhador em que a esperança dá seus últimos pedidos em vida. Um testamento triste, triste, detalhes de uma vida corrida, de um tempo tempestuoso onde nada consegue ser livre, onde a voz se prende à garganta, onde os pássaros caem antes de alçar vôo. Amor falecido, amor maltratado, amor renascido - dá no mesmo. Tem a ver com calos e trabalho pesado para se manter sobrevivente, à base de água e sal, desilusão, desencontros, descaminhos e um resto de paz trazida pelo imenso vazio. Foi disso que brotou o meu silêncio. Eu fiquei pendurado num relógio e o ponteiro não tem forças para subir. Sem ajuda, sem força, eu tento voltar, e sentir, expor, escrever e viver, voar cada pedaço das linhas antigas. Mas acabou. A vela queimou. O dia caiu. A porta fechou. Como é que se faz pra ser o que eu fui? E se o que eu fui nunca gostou de mim? Como é que dá pra buscar novos mundos se estou entre correntes, encubado, escondido, meio quieto, meio fumaça, meio baque, meio morto? O raio não vem. O galo não canta. O vento não empurra as cortinas. Quem há de dizer que os motivos existem? Quem há de dizer que não fui corajoso a ponto de suportar o desapego, a enfermidade e o escudo pesado e partido? Se eu me perdi no tempo, acho que tudo que eu plantei, secou. E a vida me deixou. Assim como tudo que escrevi e senti.
— Suspira, pois ela volta aos poucos. Mesmo que engatinhando e tropeçando.
— Entendo.
Eu cheguei a pensar que, da mesma forma como desencontrei, eu encontraria o que eu havia perdido. Numa calçada ou nos olhos de alguém, no sorriso da criança ou na cheiro da chuva, mas nada voltou. Nem mesmo a voz doce que incendiava minha alma. Sonhar virou sonho. Soa estranho, eu sei. Mas é a cara que imagino quando penso na realidade. Fogem os encantos e as magias. Perdem-se as bebidas deliciosas, os personagens confidentes e as estradas surpreendentes. O rosto do concreto. Eu só queria ser volátil, escapar de tudo aquilo que me impede de inflar, descobrir outros vapores, fugir da minha casa, abrir a gaveta, destampar as panelas. Sentir o cheiro de coisa velha e perceber que o novo ainda me espera pra poder chegar. Eu deixei recados nos espelhos e correspondências fechadas, deixei motivos pra voltar. E caminhando, torto e desguiado, no ritmo do sem-querer-eu-tenho-medo, eu sinto que a vida é assim: cheia das incertezas e dos silêncios no escuro. Muito minha, muito nossa e muito própria.

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Eu simplesmente parei de jogar esse jogo, onde sou apenas uma peça que pode ser trocada, mais quero ver como você vai jogar, se ao menos sabe as regras.
Citar esse sentimento como um jogo é muito romântico não acha? mas pra que vou ser romântica se ao menos tenho seu amor, te olhar, tão perto e tão longe é uma tortura, sejamos justos, somos opostos, que se atraem até certo ponto não serei eu a garota que diz "te amo" tal como diz bom dia, e você não me fará mudar, se nem eu mesma me dou a este direito, talvez não seja hoje que eu te fale o que sinto, não sou de expor certos sentimentos, por enquanto, apenas no olhar, saberei quem é você, e quem sabe, eu descubra alguma verdade

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